ARTIGO DE OPINIÃO
OPINIÃO – O Descarte do falso Outsider: Como o Sistema Vomitou Renan Santos
O Renan foi descartado. Não conseguiu decolar, como queria o Sistema e foi vomitado por ele. Simples, assim.
Por Mara Magalhães
A política brasileira não é para amadores, mas também não perdoa os profissionais do barulho digital.
O isolamento de Renan Santos e o fracasso de sua pré-candidatura não foram acidentes. Foram o resultado óbvio de uma engrenagem que usa rebeldes de internet como bucha de canhão e, depois, limpa o cenário.
O “Sistema” nunca quis que ele decolasse. Foi usado, saturado e jogado fora. Simples assim.
Sob o comando de Renan, o MBL cresceu na base do confronto. O erro crasso foi achar que a lógica dos algoritmos funcionaria no xadrez dos palácios. Para disputar a Presidência, tentaram negociar com as mesmas oligarquias que prometeram destruir. Mas o establishment opera por conveniência: figuras barulhentas são ótimas para incendiar a militância, mas péssimas para dividir o cofre dos fundos partidários.
“Na geopolítica do poder, quem se fantasia de dinamite acaba servindo apenas de espoleta para o rojão dos outros.”
As recentes decisões judiciais e os bloqueios digitais foram apenas o carimbo burocrático de um sufocamento que já ocorria nos bastidores. A decisão não suspende a candidatura, mas asfixia.
Sem tempo de TV, sem coligações de peso e asfixiado pelas regras do jogo, o projeto virou fumaça.
O Sistema nem precisou se esforçar para derrotá-lo nas urnas; bastou fechar as portas e deixá-lo falando sozinho no saguão.
A lição é clara e cruel: o establishment é antropofágico. Ele se alimenta da energia da renovação, digere o que interessa e vomita os idealistas assim que eles ameaçam o cardápio principal. Renan descobriu, da pior forma, que no teatro político nacional os outsiders só entram em cena se for para bater palmas para os donos do circo.
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